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terça-feira, 28 de setembro de 2010

PEIXENINHO - LUGAR QUASE SECRETO
















Peixeninho, é um lugar onde a vida (quase) parou, mas será certamente por isso que eu cada vez gosto mais de lá ir. bem no coração de Portugal, no Distrito de Viseu, bem perto de Castro Daire.
Fui lá pela primeira vez á cerca de 30 anos, quando comecei a namorar a minha mulher e ali ela tinha nascido. Nessa altura fiquei surpreendido, pois tive a sensação que tinha voltado atrás no tempo. pessoas muito idosas, casas de pedra escura apenas iluminadas por lamparinas e pelas fogueiras que no meio das cozinhas iluminavam e aqueciam cada um dos pequenos mundos onde os velhos viviam quase em comum com os animais. A "loja" como lhe chamam é o local onde os animais que viviam por baixo do soalho, mas que com o calor dos seus corpos seriam o "aquecimento central" de cada uma daquelas habitações. Os carros de bois ainda eram bastantes e acompanhavam os verdadeiros homens da terra na sua faina e carregavam ao longo do dia grandes fardos de palha, lenha e os vários géneros alimentícios que tiravam da terra muitas vezes regadas com o suor do seu próprio corpo.
Como acontece pelo menos uma vez por ano passamos por lá, os meus sogros voltaram para lá após muitos anos a fazer a vida na capital lisboeta, depois da reforma voltaram para lá e rejuvenesceram apenas pela mudança de ares e pela alimentação verdadeiramente biológica que a terra lhes dá. Peixeninho continua parado no tempo, agora apenas vejo menos velhos e os que vejo são os mesmos que há 30 anos já eram muito velhos. Hoje continuam a viver a vida no passado recordando cada momento e os filhos que ali viram crescer e partir um a um até terem ficado ali deixados não ao abandono mas ao desleixo nas mesmas casas, algumas mais velhas, outras com um "jeito" de alguns dos filhos que moram bem longe fazem deste local as férias possíveis em cada ano.
Dos carros de bois, apenas vejo um, e animais apenas meia dúzia passeia pelas ruas depois de trabalhar nos poucos campos que ainda são cultivados. Já nem o burro e as cabras aparecem, até os cães e gatos quase todos partiram para uma vida melhor, restam também os poucos que há muitos anos escolheram este pequeno local para viver.
Pelo menos enquanto os meus sogros forem vivos tenho a certeza que continuarei a fazer esta viagem no tempo, depois só o mesmo tempo o dirá!

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